Bolsas esportivas para estudantes universitários são raras! Apenas cerca de 1% a 2% dos alunos de graduação em programas de bacharelado recebem esse tipo de auxílio nas universidades americanas, o que corresponde a um total de aproximadamente 150 mil pessoas recebendo cerca de U$ 2,9 bilhões em bolsas esportivas nas Divisões I e II da Associação Atlética Universitária Nacional (NCAA) todos os anos.

No entanto, mesmo não sendo tão numerosas assim, esse tipo de bolsa é relativamente bem conhecido, o que acaba gerando algumas falsas informações que vão se difundindo ao longo do tempo.

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No texto de hoje vamos te mostrar quais são os quatro mitos mais comuns sobre bolsas esportivas. Então fique com a gente para não cair em nenhuma falsa informação por aí!

Mito 1: Todas as bolsas esportivas são integrais

De acordo com dados da NCAA, o valor médio das bolsas esportivas é de 18 mil dólares por ano, o que normalmente não é suficiente para cobrir os custos anuais de uma faculdade nos Estadods Unidos.

Só para fazer uma comparação, segundo a revista U.S. News, no ano acadêmico 2019-2020, a média de mensalidades e taxas nas universidades e faculdades públicas do país era de mais de 22 mil dólares por ano. Nas privadas, esse número subia para quase 37 mil dólares. Fazendo as contas, dá pra perceber que os números não fecham, certo?

Dito isso, também é importante frisar que apenas alguns esportes oferecem bolsas integrais, e são conhecidos como “head count sports”, como basquete e futebol americano. Nos esportes alocados nessa categoria, a formação das equipes fica restrita ao número de atletas que podem ser bolsistas. Por exemplo, se um time de futebol americano tiver direito a 85 bolsas por ano, isso significa que poderão ser admitidos apenas 85 atletas. Ou seja, não é possível dividir o dinheiro alocado para as bolsas para permitir que um número maior de estudantes seja admitido com apoio financeiro.

Já para as mulheres, os esportes que oferecem bolsas integrais são basquete, tênis, ginástica e vôlei.

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(Foto: Valentin Balan/Unsplash)

Todos os outros esportes são chamados de “equivalency sports”, o que significa que o dinheiro das bolsas esportivas disponível para cada equipe pode ser dividido entre os jogadores; e que não há restrições quanto ao número de atletas que podem receber o auxílio. Nesses casos, geralmente o número de bolsas distribuídas fica a cargo dos treinadores.

Também é preciso ter em mente que, embora as escolas da Divisão I (saiba o que é isso mais abaixo) possam oferecer bolsas de estudo de vários anos, alguns desses auxílios devem ser renovados a cada ano, e isso poderá depender do desempenho acadêmico do atleta. Além disso, as bolsas podem ser canceladas ao final ou durante o período se o aluno se tornar inelegível, cometer fraude, se envolver em má conduta ou sair da equipe por motivos pessoais.

Mito 2: Bolsas esportivas estão disponíveis apenas para futebol americano, basquete e beisebol

Apesar do mito de que as bolsas esportivas são oferecidas apenas para alguns esportes, existem várias bolsas parciais disponíveis para absolutamente todos os esportes, desde golfe até polo aquático ou remo. E isso é particularmente interessante considerando que futebol americano e beisebol definitivamente não são esportes tão populares aqui no Brasil. Nesses casos de bolsas parciais, é possível conciliar as bolsas esportivas com outros auxílios oferecidos pelas universidades, como as bolsas de mérito.

Mito 3: Você deve ser capaz de jogar na Divisão I para obter uma bolsa esportiva

As escolas da NCAA são separadas em três divisões, sendo as da primeira divisão as mais renomadas, como as universidades da Ivy League. Tendo isso em mente, é importante lembrar que, embora essas escolas da Divisão I contem com mais recursos para oferecer bolsas esportivas, também é possível buscar ofertas de bolsas de estudo na Divisão II, em faculdades juniores ou outras conferências. Em alguns casos, inclusive, um mesmo atleta pode receber melhores ofertas de bolsa em uma instituição da Divisão II que em uma instituição da Divisão I.

Já as escolas da Divisão III não concedem bolsas de estudos para atletas, mas concedem outras formas de ajuda financeira que levam em conta o envolvimento do mesmo em atividades extracurriculares no geral, incluindo as atividades esportivas. Mas nem por isso essas escolas deixam de ter equipes atléticas e bons jogadores.

Mito 4: Não é necessário ter boas notas para conseguir uma bolsa esportiva

Quando os alunos assinam uma carta de intenção para jogar em uma escola, muitas vezes são anexadas estipulações, como manter um GPA mínimo e boa conduta. Por isso é importante estar ciente da responsabilidade de se comprometer com os estudos antes de tomar a decisão de se matricular.

Tenha em mente que a escola estará pagando pelos seus estudos, hospedagem e alimentação (entre outras coisas) e o mínimo que ela espera em troca é o seu bom desempenho acadêmico, além do esportivo, obviamente. Inclusive os alunos calouros com bolsas esportivas devem atender aos requisitos da NCAA, como por exemplo, completar 16 disciplinas básicas de acordo com as especificações e cronograma da Associação; e conseguir no mínimo 2,3 de GPA nesses disciplinas.

Como funcionam as bolsas esportivas nos EUA?

Agora você já desmistificou todas essas mentiras populares sobre as bolsas esportivas nos EUA, mas não vamos parar por aqui. Pressupondo que você seja um estudante atleta, não basta apenas saber sobre esses mitos, mas também o que é necessário fazer para se aplicar e conquistar uma bolsa. Concorda?

Então confira abaixo três dicas para se preparar para conquistar uma bolsa esportiva, sendo um estudante internacional.

Comece a se preparar cedo

Para conquistar uma bolsa esportiva nos EUA, o ideal é começar cedo a se destacar no esporte escolhido e a se organizar para a aplicação. O aconselhado é começar a pesquisar as opções entre 18 e 24 meses antes da data em que se pretender iniciar as aulas na universidade americana. E isso se aplica também para os testes que podem ser exigidos, como o TOEFL, IELTS, SAT ou ACT (que podem estar temporariamente suspensos por conta do coronavírus); e para as inscrições de notas do ensino médio, que também precisam ser traduzidas com precisão.

Entenda que o processo de admissão e o processo de elegibilidade são duas coisas diferentes, sendo o primeiro o processo normal pelo qual todos os alunos passam quando se inscrevem em universidades americanas. Ou seja, para que um aluno atleta jogue em uma faculdade ou universidade dos Estados Unidos, ele precisa ser recrutado e obter admissão nessa universidade.

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(Foto: Serena Repice Lentini/Unsplash)

Já o processo de elegibilidade se refere aos padrões de elegibilidade e requisitos que esses candidatos devem cumprir para serem recrutados ou jogar em nível universitário. E esses requisitos, como já foi dito, são definidos pelas organizações nos EUA que regem o atletismo universitário.

Antes de começar a prospectar possíveis bolsas e mandar e-mails para treinadores, os candidatos internacionais devem pesquisar cuidadosamente as universidades de interesse, procurando responder perguntas como:

  1. Essa instituição oferece bolsas de estudo para atletas e, mais especificamente, no meu esporte?
  2. As bolsas disponíveis são integrais ou parciais?
  3. Quais são os requisitos de admissão e acadêmicos da escola?
  4. A escola tem o curso que eu quero estudar?
  5. Onde fica a escola?
  6. Há outros alunos atletas estrangeiros na escola?

Entenda as três organizações esportivas universitárias nos EUA

Nos EUA, três organizações definem os requisitos e regras para esportes universitários: a já citada NCAA; a National Association of Intercollegiate Athletics (NAIA); e a National Junior College Athletic Association (NJCAA).

Enquanto a NAIA representa principalmente faculdades e universidades menores e privadas; a NJCAA representa faculdades comunitárias. Para saber mais informações sobre cada uma dessas associações clique aqui.

Construa uma forte presença online

As bolsas para atletas são muitas vezes decididas pela comissão técnica da universidade, por meio do processo de recrutamento, no qual os técnicos universitários procuram os atletas e decidem quanto dinheiro da bolsa será concedido. E isso acontece através de viagens e visitas diretas em escolas, até mesmo fora dos EUA.

Com a pandemia, no entanto, as coisas mudaram, e hoje os interessados devem trabalhar muito mais para serem “notados”. Então o estudante precisa tentar ser visto online, conectando-se ativamente com os treinadores das faculdades. Você pode, por exemplo, enviar filmes dos seus jogos para os treinadores e conversar com os treinadores de seus clubes ou outros treinadores aqui no Brasil mesmo, já que muitos deles têm uma compreensão do sistema colegial nos EUA.

Universidade do Intercâmbio

E aí, agora que você já sabe tudo sobre as bolsas esportivas nos EUA, que tal começar a se preparar para conquistar sua oportunidade dos sonhos por lá? E a boa notícia é que nós podemos te ajudar com isso através da nossa mentoria especializada! É só fazer o nosso teste de perfil clicando aqui e aguardar a nossa resposta, se for aprovado(a).


Rafael Cerqueira

Rafael Cerqueira

Jornalista de 26 anos que adora viajar. Baiano que já viveu em Minas, em São Paulo, em Portugal e na Argentina. Conhece 26 países e tem o sonho de conhecer muito mais. Acredita que o mundo é grande demais e o tempo muito curto pra ficarmos parados sempre no mesmo lugar.